Foram exatos 567 dias ou 18 meses e 20 dias. A obra começou no dia 1° de dezembro de 1997 e foi concluída a 20 de junho de 1999. Tempo considerado um verdadeiro recorde para o porte do empreendimento, mas que para muitos atleticanos, durou uma eternidade.
A obra tornou-se o principal ponto de peregrinação da torcida. O movimento era tanto que, para acomodar a inesperada platéia, o Clube construiu um mirante, uma mini-arquibancada com visão privilegiada para o canteiro de obras. Imediatamente, o lugar tornou-se uma espécie de altar, de onde nós, devotos rubro-negros vínhamos contemplar a construção do nosso novo templo.
E assim foi durante toda a execução da obra. Como numa procissão de amor e fé, centenas de atleticanos vinham diariamente à Baixada prestar reverência à sua imensa paixão. Vinham ver o sonho que crescia e sentir o coração pulsar mais forte a cada estaca, a cada bloco, a cada viga que se unia à estrutura.
Os números frios estampam a grandeza da obra. Dados da Voltoragui, empresa responsável pela realização do sonho atleticano, enumeram 750 toneladas de estrutura metálica, 2.450 toneladas de aço, 28.512 m3 de concreto, 142.480 m3 de terra movimentados, 27.142 m3 de alvenaria. Mas, para o coração atleticano, esta matemática toda tem valor secundário, o que importa mesmo é que tudo isso nos fez renascer, renovou nosso orgulho de sermos atleticanos e nos deu a certeza de que, seja qual for o nosso próximo sonho, ele pode e vai ser realizado.
A INAUGURAÇÃO
Voltar para casa, depois de ficar distante um longo tempo, é sempre um prazer indescritível. Mas, para os atleticanos, nunca houve prazer maior que voltar para a Baixada naquele 24 de junho de 1999.
Depois de 18 meses desde o início da construção, o Clube Atlético Paranaense inaugurava a melhor e mais moderna Arena Multi-Eventos da América Latina.
Não houve quem não experimentasse um estranho frio na barriga antes de entrar. Nem quem não sentisse o peito inflar de orgulho e o corpo todo se arrepiar quando o Hino do Rubro-Negro ecoou por todos os cantos da nossa nova casa.
A casa em que viveríamos as nossas maiores vitórias, o lugar das nossas mais saborosas alegrias. O Atlético e toda a Nação Rubro-Negra estavam em casa outra vez. E não era um lugar qualquer. Era, e ainda é, o mais moderno estádio da América Latina.
Para muitos, a expectativa dos dias que antecederam a inauguração foi angustiante, fazia perder o fôlego. Mas valeu à pena esperar cada minuto. Quando o primeiro gol rubro-negro fez a Arena explodir de alegria, todos nós soubemos que cada instante, que cada centavo gasto, que todo o esforço despendido, tudo, absolutamente tudo, havia valido à pena.
A festividade de inauguração foi um verdadeiro show, capaz de emocionar atleticanos e atleticanas de todas as idades. Com canhões luminosos e muitos efeitos sonoros, o espetáculo reproduziu o nascimento do novo Caldeirão e foi além. Mostrou o início de um Furacão muito mais forte e devastador.